História e trajetória
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História e Trajetória

GRUPO DELÍRIO CIA. DE TEATRO 35 ANOS DE PROFISSIONALISMO, TEATRO E PÚBLICO

O GRUPO DELÍRIO CIA. DE TEATRO nasceu quando Edson Bueno (autor e diretor) e Áldice Lopes (ator e hoje, diretor), Alunos do Curso Permanente de Teatro do Teatro Guaíra, decidiram constituir um Grupo de Teatro que lhes permitisse dar vazão à necessidade de um teatro com características próprias.

 

E o que isso queria dizer, naquele momento? Tão simples. Aprendendo teatro na escola, via caminhos da utopia, era preciso colocar em prática o desejo de transformar idéias em arte. Forma e conteúdo. Tudo precisava ser experimentado à exaustão: pensamento, expressão, corpo, alma, voz, palavra. Qual o peso que cada elemento desses teria no momento que fossem ao palco, por conta e risco de sua própria ousadia e coragem? O tempo daria a resposta, mas era preciso dar o primeiro passo. E nasceu o Grupo Delírio.

 

Havia, na época, por conta ainda do aprendizado na escola, uma preferência pelo Teatro do Absurdo, que parecia mais livre, mais despojado, mais conectado com o sonho, aquele que leva ao surrealismo. Teatro, tanto para Edson como para Áldice, era uma necessidade de imaginação, expressão e liberdade. Uma forma de concretizar idéias lúdicas, chocantes e até selvagens, na juventude dos dois. E ainda, um alívio para expressar idéias num formato que contrastasse com a repressão dos anos de ditadura, em fase de desmanche, mas ainda atuantes e secos.

 

A ditadura forçou o teatro a falar por metáforas, uma expressão muito boa, mas era preciso criar a coragem de dizer as coisas com clareza, sem perder a poesia. Parece óbvio, mas na época, isto era uma verdadeira odisseia intelectual e política. Fazer teatro era começar a revelar pensamentos proibidos de ser expostos e, mais ainda, aprendidos na calada da noite, no silêncio de um desejo muito clandestino.

Apaixonado por Histórias em Quadrinhos, Edson Bueno escreveu o texto “Um rato em família”, uma comédia de humor negro, inspirada nas histórias em quadrinhos publicadas na revista CRYPTA, protagonizada por Áldice Lopes e tendo no elenco os atores Carlos Simioni, Silvia Maria Monteiro, Luiz Carlos Pazello e Maria Adélia Ferreira, os outros fundadores do Grupo Delírio.

 

A peça estreou em julho no Mini Auditório do Teatro Guaíra e foi um sucesso imediato, projetando o Grupo, já em seu primeiro trabalho e prevendo um futuro brilhante. O espetáculo, uma experiência de choque, com linguagem expressionista e agressiva, encontrava identificação com um público que, através do teatro, gritava contra a opressão e o autoritarismo. Miquelino, o protagonista, ainda vítima da metáfora, era um garoto aprisionado pela mãe autoritária dentro de seu quarto. Seu desejo de pular a janela, tomar ar e se transformar, fosse no que fosse, era o conteúdo.

Na época, conhecemos Luis Otávio Bournier, professor da Universidade de Campinas que havia passado 10 anos de sua vida na França, estudando mímica com Etienne Decroux e ainda, um estudioso obsessivo das técnicas Eugenio Barba.  Luis veio a Curitiba à convite do Grupo e,  numa experiência “non stop”, provocou um banho de renovação no corpo e no espírito do Grupo. Influenciou o trabalho pelo resto da vida. Com seu sotaque francês, olhava para os olhos dos atores e dizia: “Vai lá para a frente que eu quero ver o teu delírio!”. Pronto! Daí nasceu o nome da companhia!

 

A partir dessa encenação – que ficou em cartaz durante cinco anos, viajando por todo o estado do Paraná e ainda Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo – os membros do Grupo Delírio construíram suas carreiras, algumas fora de Curitiba; e outros como os próprios Edson Bueno e Áldice Lopes, dentro da cidade, produzindo uma obra artística de importância reconhecida e respeitada.

Nestes 35 anos, o Grupo Delírio produziu mais de 45 espetáculos, todos dirigidos por Edson Bueno; e ainda prestou serviços a instituições como o Centro Cultural Teatro Guaíra, Instituto Goethe, Fundação Cultural de Curitiba e Centro Cultural Banco do Brasil, para encenações e produções de grande importância e sucesso, onde, além das necessidades comerciais, o respeito pela linguagem e a paixão pelo mundo das idéias e pela capacidade do teatro de refletir sobre a vida e iluminar o espírito sempre estiveram presentes.

 

Foram anos em que diversas experiências foram feitas, algumas de puro delírio artístico, outras de risco popular. Em 1985, por exemplo, quando a ditadura militar estava se despedindo, o ponto de partida para um novo espetáculo, que deveria se chamar “O Grande Deboche”, foi “agora pode tudo?” E daí nasceu um espetáculo inspirado pelo Teatro de Revista, onde o descaramento pelo outrora proibido, foi levado às raias da loucura e da insanidade. Para se ter uma ideia, o cartaz, criado por Arlene Sabino, era uma caricatura de D. Pedro I, bradando “Independência ou Morte”, explicitamente nu, montado em um cavalo com expressão debochada de cinismo e sem vergonhice.

 

Em pleno processo de democratização, o espetáculo foi vetado na sua totalidade. Idas e vindas à Brasília, telefonemas, movimentos com a imprensa e o sopro dos novos tempos se fez presente à força, sem aquela conversa mole de “transição lenta e gradativa”. O espetáculo pode ir ao palco, com um senão: um determinado momento em que os atores cantavam o Hino Nacional teria que ser suprimido. Sem problemas. Uma das atrizes, Silvia Monteiro, avisava a platéia de que ali seria entoado o hino, mas por razões de estado isto estava proibido. Invariavelmente o público se levantava e cantava ele próprio. Era a própria catarse de um novo tempo político.

O espírito da crítica dionisíaca percorreu os caminhos do Grupo Delírio por muitos anos. Escrever, dirigir e interpretar para o teatro estava ligado a uma ideia de perverter algum tipo de normalidade hipócrita, fosse pessoal, social ou política. Equilibrando metáfora e realismo, nasceram espetáculos engraçados, exagerados, às vezes até violentos, como “Anatomia Humana Segundo Vico e Campanella”, de 1993, onde o sadismo intelectual e a ditadura das palavras era o tema.

 

Os tempos iam passando e o Grupo Delírio ia amadurecendo. Naturalmente o ímpeto juvenil foi dando lugar à paixão pela palavra e pela poesia. Novas investigações que levaram à Clarice Lispector, Edgar Allan Poe e Julio Cortazar, por exemplo.

Em 2000, nasceu “Onde Estivestes à Noite?”, um viagem pela espiritualidade de Clarice Lispector e o non sense consciente de Julio Cortazar. Em 2001, o espetáculo “Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos” dizia abertamente e de coração livre que preferências sexuais, particularmente o homossexualismo, eram inerentes à criatura humana e dela se poderia experimentar uma vida intensa, feliz e apaixonada.

 

Em 2002, trabalhando com a matéria prima fornecida pelos estudos de Wilhelm Reich, o espetáculo “Um Unicórnio no Jardim” aventurava-se pelo universo do inconsciente, onde os arquétipos familiares eram discutidos no terreno da experiência primária. Não raro, pela crueza, alguns espectadores saíam ofendidos do teatro. Não era esse o objetivo, mas reafirmava um teatro comprometido com idéias claras.

MAIS DE 30 ANOS DE HISTÓRIAS

Programada para o dia 16 de setembro, a Festa 35 anos de Delírio reinaugura o espaço do Estúdio Delírio, que passou por minuciosa reforma e traz fachada com assinatura do artista visual, designer e ilustrador André Coelho. O espaço contempla também um palco intimista para 30 lugares, ideal para apresentações imersivas, inspirado nos espaços multiculturais europeus e norte-americanos. No evento o Grupo Delírio divulga também o calendário do segundo semestre de 2017, com o retorno de dois espetáculos consagrados pelo grupo: “Paixões Desenfreadas” e “Se Eu Morresse Amanhã” e três projetos inéditos, as peças “Monalisa versus Hitler” e “Shaxpeare Shakespeare Shagsbere” – que contará com novo repertório –, e a série de debates sobre cinema “Delírio Cinematográfico”.

 

A festa contará com muita música, com a participação do grupo C@ntoras do Rádio, com Cássia Fóes, Karla Díbia e Maria Celeste Correa, acompanhadas pelo arranjador, acompanhador e violonista, Daniel Amaral. O repertório será eclético, abrangendo do jazz à Bossa Nova e Rock.

 

Com a abertura oficial da Cozinha Delírio, a gastronomia também estará presente durante a festa e contará com cervejas especiais e artesanais e pratos exclusivos, como a Curry Wurst e a Batata rústica com alecrim e ervas finas. A data reunirá integrantes da comunidade artística, empresários e imprensa.

 

“Delírio é teatro de excelência! Juntos o melhor teatro acontece!”, finaliza Edson Bueno.

 

Um brinde ao Delírio!

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