KAFKA – A VIGÍLIA (2012) - Delírio
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KAFKA – A VIGÍLIA (2012)

About This Project

Adaptação de Edson Bueno para as “Narrativas do Espólio”, de Franz Kafka.

 

O espólio artístico legado por Franz Kafka à posteridade é de uma extraordinária riqueza e variedade. Sabe-se que em vida, ele publicou apenas um texto de sua produção; o restante ficou aos cuidados do amigo Max Brod, que se recusou atender ao pedido do autor para queimá-los.

 

KAFKA – UMA VIGÍLIA toma como ponto de partida um pensamento de Franz Kafka, segundo o qual, os artistas têm como função “vigiar” o sono, aparentemente tranquilo, da humanidade. Escrever para Franz Kafka era uma espécie de obsessão, muitas vezes próxima ao sacrifício; mas se, por um lado havia sofrimento, por outro havia o grande escritor observando a humanidade e suas armadilhas e contradições de um ponto de vista cruel e seco, porém poético.

 

Cinco vigias têm por função e destino, vigiar, e como qualquer artista, não podem relaxar de seu trabalho, sob pena de colocar por terra todo o destino humano. Nessa vigília eterna, eles questionam sua condição numa atitude tipicamente de “teatro do absurdo”, ao mesmo tempo em que fazem da imaginação e do humor negro, um exercício de verborragia que tem como único objetivo mantê-los acordados na vigília eterna.

 

Kafka, em seus 41 anos de vida, cuidou de apontar para a sociedade, todos os seus mecanismos de desumanização e decadência. Fez da metáfora cruel a sua “arma” e com ela criticou a solidão e o vazio da existência, alicerçada na mesquinharia, no egoísmo e na pobreza de sentimentos: o homem e sua trágica passagem pela vida.

 

Essa é a terceira vez que o Grupo Delírio Cia. De Teatro debruça-se sobre a obra de Franz Kafka, um objeto constante da pesquisa de linguagem e do teatro da palavra, estudo profunda da literatura e seu caminho para transportar-se do livro para o palco. Em “Kafka – Uma Vigília”, alguns contos clássicos do grande autor tcheco, fazem a dramaturgia: “À Noite”, “O Abutre”, “Uma Pequena Fábula”, “As Árvores” e “A Toca”. É uma oportunidade única de ouvir a grande literatura de Franz Kafka, através do teatro do absurdo e do próprio absurdo da vida. É também um convite à reflexão e à arte que pede um outro olhar sobre a palavra, o gesto e a narrativa.

 

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Um pequeno depoimento sobre a encenação…

 

Esta é a terceira montagem de Kafka pelo Grupo Delírio (a primeira foi em 2005 “Metamorphosis” (baseada em A metamorfose) e a segunda “Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte”, em 2007). Ela se diferencia das outras por uma abordagem estilizada ao máximo. Texto, marcações e gestos são coreografados para envolverem o público, menos pela literalidade do que é dito e mais pelas sensações de ritmo, harmonia, movimento e gestualidade. Uma tentativa (porque ir além disso seria perigoso…) de aproximar-se da música e sua poderosa capacidade de, partindo do essencial, atingir o fundamental. As circunstâncias de aprisionamento, ausência de liberdade, obsessão, violência reprimida e medo, típicas da obra kafkiana, estão presentes, mas a busca pelo essencial é o objetivo.

 

O texto que um dos personagens (um dos cinco “kafkas”da peça) diz ao público logo no início, dá uma dimensão clara do que pretendemos ao encenar esse novo Kafka:

“… a vigília que lhes mostrarei é bárbara, cruel e desesperançada… Mas, se, se propuserem a buscar nela um retrato do seu tempo, prometo-lhes um relato belo e sincero. É um sonho. E o que é um sonho? Tudo que possa ser… feio, estranho, imperfeito… Até um pesadelo. Mas um sonho, eu lhes garanto, nunca é uma mentira.”

 

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A peça é a adaptação de contos, relatos e ideias contidas na compilação “Narrativas do Espólio”, a literatura de Franz Kafka que ficou praticamente inédita durante muito tempo, e que Kafka, mortos aos 41 anos, nunca viu publicadas. Seu testamenteiro Max Brod reuniu-os, depois de recusar-se a queimá-los, como Kafka havia pedido.

 

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Alguns autores, flores de obsessão, insistem em fazer parte do repertório do Grupo Delírio. Nelson Rodrigues, Franz Kafka, Edgar Allan Poe são alguns deles… Talvez porque, em primeiro lugar, encontram identidade com um desejo artístico que está muito em consonância com o estilo… uma certa dose de crueldade na linguagem, outra dose de fantasia, uma consonância com o teatro do absurdo e muito de humor negro… Além, é claro, de tratarem as humanidades com indignação e uma desesperança que esconde uma paixão pela aventura humana.

 

Kafka tem uma obra aberta e riquíssima, que permite evoluções, experimentações. Penso que quando encenamos “A Metamorfose”, as possibilidades do conteúdo e da dificuldade de criar no palco o que relatava o romance eram o desafio… em “Escrever é Um Sono Mais Profundo do Que a Morte”, a investigação do imaginário era o conteúdo e nesse “Kafka – A Vigília” o que prevalece é a evolução da linguagem, o minimalismo, a essência. Como se a interpretação do ator estivesse associada a uma necessidade de criar um universo kafkiano tão incompreensível na literalidade, quanto perceptível na sensação.

 

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Das “Narrativas do Espólio” para o espetáculo “Kafka – A Vigília”, alguns contos foram considerados: “O abutre”, “Desista”, “À Noite”, “A Toca”, “O Veredito”, “Pequena Fábula”, “As Árvores”, narrativas de diversas intensidades e imaginação incrível. E vale reafirmar um teatro de reflexão e comprometimento… “Não existe amor na ficção de Franz Kafka – nenhum amor que escolheríamos viver. É uma literatura que não nos permite repousar um instante sequer de convicções otimistas. É uma literatura que não acolhe nossas ilusões de pacificação entre a intimidade e o resto do mundo.”-

 

 

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“Os seres kafkianos são propriamente construções de linguagem, figuras feitas de palavra; seu tormento pode atingir o paroxismo, mas sua humanidade jamais é literal, jamais convida à imediata transposição empírica. Talvez não venha a existir o leitor (ou o público) que, através de Franz Kafka, possa ter compaixão de si mesmo.”

Direção  EDSON BUENO

 

Elenco

EVANDRO SANTIAGO

GABRIEL MANITA

GUILHERME FERNANDES

ROBYSOM SOUZA

RUDI MAYER

 

Iluminação  FERNANDO DOURADO

Sonoplastia  EDSON BUENO

Figurinos  ÁLDICE LOPES

Cenário  MICHELLE RODRIGUES

Fotografia  CHICO NOGUEIRA

Operação de Luz  LUCAN VIEIRA

Operação de Som  GUSTAVO SAULLE/LUCAS RIBAS

Equipe de produção  ÁLDICE LOPES/ROBYSOM SOUZA/MICHELLE RODRIGUES/VIDA SANTOS/GUILHERME FERNANDES/GUSTAVO SAULLE/RENATA CHEMIN/SUELLEN ALVES/ EVANDRO SANTIAGO/RAPHAEL MORAES/LUCAS RIBAS/LUCAN VIEIRA/RUDI MAYER.

 

Este espetáculo estreou no dia 06 de setembro de 2012, no Espaço Cênico/Curitiba-PR

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Date

2001

Category

Arte, Era de Ouro

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