METAFORMOSE LEMINSKI (2010) - Delírio
8053
portfolio_page-template-default,single,single-portfolio_page,postid-8053,woocommerce-demo-store,ajax_fade,page_not_loaded,smooth_scroll,,qode-theme-ver-3.6,wpb-js-composer js-comp-ver-5.2,vc_responsive
 

METAFORMOSE LEMINSKI (2010)

About This Project

ENCENANDO A PALAVRA OU PALAVREANDO A CENA…

 

Quem acompanha o trabalho do Grupo Delírio sabe que, por todos os lados, gostamos mesmo é de falar. Às vezes pelo coração, às vezes pelos órgãos genitais, às vezes até pelos cotovelos, não importa. O negócio é dizer coisas, buscar novas sinceridades e expressões em palavras, palavras e palavras. Nos últimos tempos, o exercício de reelaborar para o teatro as obras de grandes escritores tem sido a nossa diversão favorita. Pois continua. Paulo Leminski é a nossa mais recente pesquisa. Quem nunca leu Leminski não conhece as delícias de sua poesia, o perfume de sua literatura ágil, malandra, espertíssima, elegante, erudita e única. Penetrar (ô palavra danada!) em sua escrita é abandonar-se na milionária riqueza verbal do seu talento e inteligência. Então que escolhemos encenar sua poesia didática, romanceada, reflexiva e verborrágica, intitulada METAFORMOSE – Uma Viagem Pelo Imaginário Grego. Leminski, sem pudores, permite-se envolver e envolver-nos, como novelo de mil texturas e cores, numa aventura onde tudo pode significar tudo e modificar-se ao sabor da imaginação e do desejo. Heróis mitológicos são desmembrados e a poesia das palavras é o fio que une uns aos outros e, ao mesmo tempo, os transforma, segundo a vontade de entender a aventura humana pelos caminhos da mitologia. É um rumo perigoso, complexo, que invariavelmente leva ao próprio coração. Pensar mitologias é pensar a vida, sem compromissos com a lógica e muito menos com a verdade. Porque a verdade é apenas o que ela significa como sentimento no momento presente. Passado e futuro não existem em METAFORMOSE. O que existe é a palavra que reflete ideias e pensamentos que só têm significados e importância no momento em que são ditos. Segundos depois que ecoaram, deixam de existir e dão lugar a outros, que não precisam estar conectados com os anteriores. Não é uma viagem para compreender; talvez, com alguma sorte, para significar. De todo modo, a preocupação de Leminski em seu relato METAFORMOSE é a de narrar. “Narro, logo existo!” Estar contando é a condição primordial para não morrer, estar se metamorfoseando é a condição primordial para não dar de cara com a Medusa e não virar pedra. Leminski não queria virar pedra, artista nenhum também quer. Ou será que alguns querem? De qualquer forma, como pensador, escritor, gênio e provocador, Leminski usa e abusa dos mitos gregos para pensar/definir o significado de existir sem preocupações cronológicas. Compreende tudo ao mesmo tempo, como um vôo de Ícaro, despreocupado com os raios do sol. Leminski não tem medo de cair, tem medo de parar durante o  voo. O Grupo Delírio abandona-se prazerosamente nas palavras do maior poeta curitibano. Deixa-se levar por sua loucura selvagem e busca arrancar prazeres em cada significado. Viver é sofrer, rir, gozar, expandir-se, encolher-se, enlouquecer e, antes de morrer, recuperar a cada segundo a liberdade de ser. METAFORMOSE é um libelo de liberdade na prisão que a cultura e o tempo impõem ao homem. Os atores do Grupo Delírio dizem mitos: Medusa, Teseu, Afrodite, Centauro, Eco, Narciso, Hércules, Minotauro, Ícaro e Leminski. Expressam-nos na arena, mas com a mesma liberdade com que o grande poeta os escreveu e descreveu. Em meio ao caos! Em meio ao turbilhão das transformações! Com o necessário desprendimento do que não tem lógica, a não ser na palavra, na ação e na atemporalidade. Nossa viagem ao mundo imaginário do mito grego é a entrega sem reservas à humanidade de Paulo Leminski, a quem homenageamos; apaixonados por sua literatura, por seus esplendores e misérias… por sua alma livre! Bem-vindos à viagem de METAFORMOSE! Garantimos, não será uma viagem fácil; mas se estiverem com o coração aberto ao caos, arrancarão de nosso Paulo Leminski grande prazer, porque encenamos um lugar que não é passado nem futuro… talvez nem presente! Mas é palco, teatro, poesia, palavra, palavra e palavra! Amém!

 

Quem somos nós?

 

Uma pergunta desconcertante! E eu não acredito que alguém vá assistir a uma peça de teatro ou comece a ler um livro, imaginando encontrar resposta. Não! A pessoa tem que estar muito disposta a ser enganada pra cair neste conto da verdade e da mentira. Porque, quando o assunto é a essência da criatura humana, verdade e mentira podem muito bem ser sinônimos. O casamento perfeito! Por quê? Porque tudo é mistério, oras! Quem somos nós? De um princípio que não existe resposta. Mas, artistas de todos os tipos, incluindo-se aí os escritores, têm lá suas pretensões. E poetar é perguntar, com certeza! O artista, munido de suas armas (palavras, no caso do escritor), como um semi-deus, enfrenta o desconhecido e começa aí uma violenta e épica aventura! Já, de partida, ele tem que decifrar quem é esse tal desconhecido. O universo ou ele mesmo, o próprio artista? Decifra-me ou te devoro, grita o seu inconsciente! Baixou um Freud rápido no ato de poetar/pensar. E como psicologia anda ali, ali com a mitologia, o tal artista vai se enrolando/enovelando cada vez mais e criando um labirinto de complicações que Teseu nenhum (o do Minotauro!) dá conta. Falei semi-deus, mas um artista que se preze, considera-se mesmo um deus! Um iluminado, que pequenininho, diante da grandeza do universo, resolve num lapso de tempo, ter uma sacada, e num susto de originalidade, apreender/explicar intuitivamente e de uma só vez, todas as leis do universo. Escreveu e em instantes, virou maior que o universo, fingindo que é humilde e bem menor. E quando eu digo “todas”, quero dizer “todas” mesmo. Inclua-se aí toda a beleza, feiúra, bondade, crueldade e tudo o que a vida tem de infinito e limitado. Contradições, acima de tudo! E como tudo que é maior que o homem/artista é uma espécie de deus – segundo Paulo Leminski! – a contradição é também uma deusa! Feroz, guerreira, belíssima e grudenta! Pois, do alto de tudo o que conhecia, e nem sei se “tudo” aqui é suficiente, Paulo Leminski resolveu refletir sobre mitologia. De um lado os mitos/emoções: contradição, medo, amor, fome, sede, desejo, etc. E de outro, os que vieram antes da era cristã: Zeus, Eros, Afrodite, Aquiles, Narciso, Teseu, Édipo, Hércules, etc. E no meio deles todos, o homem. Que brinca de ser deus e não dá conta nem de pagar as contas no vencimento. “Metaformose”, a reflexão poética leminskiana que vamos ler em público, porque temos muita coragem, é o homem brincando de ser deus, vociferando por não ser deus, imaginando deuses e descobrindo que o bom mesmo é brincar, vociferar e imaginar. Porque se fosse possível explicar os deuses (e ele mesmo, o homem), os deuses não seriam deuses. Nem homens. E ainda, em nova reflexão, porque idéias se metamorfoseiam em outras idéias, vale dizer que nas mãos de um deus/leminski, palavras viram outras deusas, que adoram ser manipuladas, acariciadas, violentadas, viradas de pernas pro ar, a serviço de lógica alguma ou alguma lógica. Importante é usar, falar, escrever. E poetar com o desconhecido, sem medo de viajar na maionese.

Edson Bueno

A partir do romance/poema “Metaformose – Uma viagem pelo imaginário grego”, de Paulo Leminski

 

Direção                                 EDSON BUENO

 

Elenco

TIAGO LUZ

GUILHERME FERNANDES

DIEGO MACHIORO

MARCEL GRITTEN

MARCIA MAGGI

MARTINA

 

Cenografia/Adereços ALFREDO GOMES

Figurinos/Maquiagem  ÁlDICE LOPES

Iluminação  BETO BRUEL

Sonoplastia  CHICO NOGUEIRA

Design Gráfico  MARCOS MININI

Máscaras  PAULO VINÍCIOS

Cenotécnica  PROSCENIUM

Operação de Luz  FERNANDO DOURADO

Operação de Som  GUSTAVO SAULLE

Assessoria de Imprensa  THIAGO INÁCIO

Direção de Produção  EDSON BUENO/THIAGO INÁCIO

 

Realização  GRUPO DELÍRIO CIA. DE TEATRO

Eu sou um bloco de texto. Clique no botão Editar (Lápis) para alterar o conteúdo deste elemento.

Eu sou um bloco de texto. Clique no botão Editar (Lápis) para alterar o conteúdo deste elemento.

Date

2001

Category

Arte, Era de Ouro

Esta é uma loja de demonstração para fins de teste - As compras realizadas não são válidas. Dispensar