SATYRICON DELÍRIO II (2014) - Delírio
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SATYRICON DELÍRIO II (2014)

About This Project

“Um romance jovem de dois mil anos.

 

Com direção de Edson Bueno, o espetáculo é uma adaptação do romance de mesmo nome escrito por Petrônio, há dois mil anos, em Roma.

Repleto de escancaradas críticas políticas, morais, sexuais e sociais, o romance acompanha a aventura de três malandros (Encolpo, Ascilto e Giton) por uma Roma decadente e afundada no caos e na libidinagem.

Amor e sexo, religiosidade e ateísmo, caos e ordem, riqueza e pobreza, vulgaridade e eruditismo, se contrapõe o tempo todo, como um conflito de ideias que gera um constante desequilíbrio entre as relações humanas. Encolpo, Ascilto e Giton fazem um despreocupado triângulo amoroso, que desfila por praças, bordéis e palácios, trocando seus corpos jovens por comida e teto. São personagens sem perspectivas sociais e que brincam com a vida, conscientes de que ela vale muito pouco, num tempo em que a ordem social, ética e sexual são sinônimos de desordem e caos.

Do romance SATYRICON, chegaram aos nossos tempos apenas fragmentos, tendo a sua narrativa uma fragmentação que só dá relevo à sua intensa mistura de sentimentos e exacerbações, além de um espírito de orgia bêbada, que só tem sentido na experiência viva dos personagens.

A encenação do Grupo Delírio Cia. De Teatro tem 16 atores que dão voz a palavras, gestos, ações e sentimentos, que buscam reforçar o espírito caótico do romance e, aproximando-se ora da sátira e da farsa; ora da narrativa épica, busca transformar em carne e sangue as palavras de Petrônio, um poeta crítico e popular de seu tempo.

Paulo Leminski, que em 1985 fez uma tradução famosa, diretamente do latim, chamava a obra de “um romance jovem de 2000 anos!”, porque ao lê-lo, o leitor tem a sensação de estar participando de uma narrativa contemporânea, ao perceber que a civilização, apesar das leis, da ordem social e da ciência, pouco se modificou, ao contrário, parece ter dado mais relevância à perversidade e à loucura retratadas por Petrônio em seu romance.

 

 

Sobre Petrônio.

 

Petrônio (em latim: Petronius) foi um escritor romano, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável, autor de Satyricon. Não existem provas seguras acerca da identidade de Petrônio, mas é acredita-se que se trate de Caio Petrônio Árbitro (Gaius Petronius Arbiter) ou de Tito Petrônio (Titus Petronius, c. 27-66 d.C.), distinto frequentador da corte do imperador Nero.

 

Vida

 

Nascido de uma família aristocrática e abastada, mostrou toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Depois ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento e relaxado suicídio, abrindo e fechando as veias, enquanto discursava sobre temas joviais, mandando para Nero um documento no qual detalhava seus abomináveis passatempos.

 

Sobre ele, na famosa obra Anais, o historiador Tácito traçou uma imagem viva, que vale a pena ser lembrada e transcrita.

 

Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada. Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo. Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.

Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar. Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural. Não adulou no seu testamento Nero ou Tigelino ou qualquer outro poderoso do dia, como fazia a maioria dos que pereciam. Mas, em nome de jovens impudicos ou de mulheres perdidas, narrou as davassidões do príncipe e os seus refinamentos; mandou o escrito a Nero, fechado, imprimindo-lhe o sinete de seu anel, que destruiu a fim de que não fizesse vítimas mais tarde.”

 

Era esse o ambiente da corte de Nero. Porém havia nela um personagem desse mundo cheio de contrastes – Petrônio. A maioria de seus críticos admite que foi ele o “arbiter elegantiarum” da época, o autor do “Satiricon”. E entre os muitos estudiosos interessados no assunto houve inclusive opiniões divergentes, mas o parecer mais acertado parece ter sido o do estudioso italiano Marchesi: “Petrônio, nos últimos momentos da vida, teria acrescentado alguma página ao seu romance, enviando-a ao imperador, feroz e desequilibrado, como presente de uma vítima aristocrática e refinada. O filósofo Sêneca enviou alguma página de moral; Petrônio, a pintura e a descrição daquele mundo terrivelmente corrupto”. O Satiricon não nos chegou íntegro e sim fragmentário. Mesmo assim, o que ficou do mesmo basta para considerar as páginas de Petrônio como um monumento literário de incomparável beleza artística e de inestimável valor para a reconstrução da vida particular da antiga Roma.

(Extraído do prefácio do prof. Giulio D. Leoni)

 

Obra

 

Sua única obra remanescente, o Satyricon, uma história mundana de entretenimento, nada fala diretamente sobre a vida do autor.

 

De Petrônio sobraram os livros XV e XVI de um longo romance, chamado de “Saturae” e que, sob o nome de “Satyricon” parodia os romances gregos, sentimentais e sensacionais, que estavam na moda. Em vez de heróis em extraordinárias aventuras, temos os feitos pouco recomendáveis de três jovens patifes: Encolpius, que conta a história, Asciltos e Giton. Mas, o mais conhecido episódio, que é também o menos censurável, é o famoso “Jantar de Trimalchão”, uma festa elaborada na mansão de um rico cidadão, um típico “self-made man”. O estilo varia entre uma retórica pretensiosa e uma gíria das mais vulgares. Mas, apesar de todas as críticas, em razão da língua, do humor e do realismo, o Satiricon é uma das mais notáveis obras da literatura latina. (Guido Definetti)

 

SATYRICON e FEDERICO FELLINI

 

Satyricon (conhecido como Satyricon de Fellini ou Fellini – Satyricon) é um filme italiano de 1969 dirigido por Federico Fellini, baseado no livro homônimo escrito pelo autor romano Petrônio no século I. É uma livre adaptação com pitadas surealistas e um tom lisérgico e psicodélico bem a época em que o filme foi produzido, tem uma construção truncada, uma vez que a peça da qual foi inspirada foi descoberta em fragmentos, o que lhe rende uma atmosfera onírica, como de um sonho descontínuo. A estória narra as aventuras e desventuras de Encolpo e Ascilto, pelo afeto de GitON (Gitone), que após ser vendido a um ator de teatro, é resgatado por Encolpio mas escolhe ficar com Ascilto. Rejeitado, Encolpio é salvo do próprio suicídio por um terremoto, e partir daí começa uma jornada que tem por pano de fundo, uma galeria de artes onde conhece o poeta Eumolpo, e o acompanha até um bacanal promovido por um aristocrata com pretenções artísticas, mas que despreza a própria esposa pela companhia de um menino. Pedofilia, homossexualidade, antropofagia, rituais diversos, em uma Babel de culturas, que nos desafiam a ver uma Roma Clássica que sob os valores de hoje, seriam amoral e decadente.

 

Em 1969, Federico Fellini foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor pelo filme.

Adaptação e Direção  EDSON BUENO

 

Elenco

EVANDRO SANTIAGO

FILIPE DASSIE

GABRIEL COMICHOLI

GILCA RIGOTTI

JOHNNY LEAL

LEO DALLEDONE

LOARA GONÇALVES

LUCAS BUZATO

MARCEL GRITTEN

RAFAEL FERREIRA

RICARDO MIGUEL

ROBYSOM SOUZA

THIERRY LUMMERTZ

VERÔNICA RODRIGUES

 

Iluminação  BETO BRUEL

Sonoplastia  CHICO NOGUEIRA

Figurinos  ÁLDICE LOPES

Fotografias  CHICO NOGUEIRA

Designer Gráfico  LEO DALLEDONE

Diretor de Produção ROBYSOM SOUZA

Realização GRUPO DELÍRIO CIA. DE TEATRO

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Date

2001

Category

Arte, Era de Ouro

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