SATYRICON DELÍRIO (2012) - Delírio
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SATYRICON DELÍRIO (2012)

About This Project

SINFONIA CAÓTICA

 

Há um experimento de libertação quando você lê o romance “Satyricon”, de Petrônio, pensando uma peça de teatro. Há nesse romance escrito há 2000 anos qualquer coisa descompromissada com qualquer linguagem que se proponha a dialogar com o leitor a partir de uma ideia concebida e que tenha que ser conduzida necessariamente a algum lugar específico. É fato que do romance original chegaram aos nossos tempos apenas alguns fragmentos, mas também é difícil crer que Petrônio tivesse qualquer outra intenção que não fosse a de despejar uma infinidade de situações, construções e pensamentos que levassem o leitor a perceber um universo onde as coisas tinham grande dificuldade em se colar umas às outras, justamente porque nada parecia estar devidamente em seu lugar. Além, muito além de suas reflexões morais, políticas, sociais, religiosas ou sexuais, “Satyricon” é um mosaico de mil pedrinhas/palavras que não estão muito preocupadas umas com as outras. E bem por isso imaginei um espetáculo descaradamente caótico. Onde, ao invés de um equilíbrio, acontecesse exatamente o contrário: Dionísio e Apolo misturando-se, confundindo-se e degladiando-se, tendo um como espada a perfeição e o outro a imperfeição. Há momentos em que as duas vão ao solo e são trocadas e é quando o caos proposital da leitura de “Satyricon”, o romance, assume a linguagem e toda possibilidade de leitura linear e confortável vai para o espaço, como um aforismo que quer significar tudo, dizendo tudo só com verbos ou só com substantivos. Toda vez que a encenação assumia contornos apolíneos, meu coração pedia caos, bagunça, desorganização; e toda vez que este caos assumia a linguagem, Apolo visitava os meus sonhos para dizer que era preciso um pouco de clareza. Mas eu sempre tive a certeza de que, se alguém deveria prevalecer, fosse o caso, seriam Dionísio e o caos. Eles sempre deveriam provocar o desequilíbrio. Assim que o relato da aventura de Ascilto, Encolpo, Giton, Eumolpo e Trimalcião, pela Roma antiga, deveria ser sempre tão desrespeitosamente sem-vergonha como é o próprio romance de Petrônio e como sempre pediu o meu sonho de levar essa obra para o teatro. Misturei tudo sem pudores: deuses gregos e romanos (que são os mesmos), prosa e poesia, eruditismo e linguagem popular, linearidade e farra, sutileza e grosseria. não é um acontecimento teatral apenas, é uma gargalhada e um descaramento. Como disse Paulo Leminski, “Um romance jovem de dois mil anos”; e, claro, intenso e recheado de críticas e deboches à sua época e que permanecem vivos e atuais. Guardando-se as devidas proporções, pouca coisa mudou. Mas, ao encenar (um) “Satyricon” pensei sempre, e muito, no que temos nós, com o teatro, para criticar, que já não esteja escancarado na mídia e na vida? Vivemos um tempo explícito e o cinismo toma conta dos sentimentos! Então que o verbo “escancarar” sempre insistiu em fazer cócegas em minhas vísceras. Escancarar hipocrisias, escancarar sentimentos, escancarar palavras! O banquete de Trimalcião é, para mim, um retrato desavergonhado dos excessos e das imaginações. É uma realidade puramente teatral, uma aventura que só acontece entre as quatro paredes de uma arena. É preciso ouvidos, olhos, estômago e esperteza para encarar essa aventura. É preciso compreender que, “como disse o mestre Epicuro: os deuses viviam na luxúria”, e então, o que, deles, vive ainda em nosso imaginário e em nossos desejos? “Satyricon Delírio” é uma outra história, é um caleidoscópio propositalmente sonhador, surreal e debochado, mas muito, muito humano! E quando o assunto são os deuses, é uma festa, uma delícia sem vergonha e brincalhona. Como o mosaico incompleto de Petrônio, cheio de lacunas. Cabe ao público, caso fique a fim, preenchê-las a seu modo e como bem lhe aprouver.

 

“Que aconteceu, ó Júpiter, por que entre os habitantes do céu Tu te calas, armas baixas, como uma lenda sem palavras? Era a hora de deixar brotar cornos na tua fronte, Hora de disfarçar com a pluma os teus cabelos encanecidos. Essa é a verdadeira Dânae: tenta apenas tocar seu corpo E logo com flamejante calor defluirão teus membros.”

Entendeu?

Adaptado do romance “SATYRICON”, de Petrônio – Escrito há 2000 anos em Roma

 

Adaptação e Direção  EDSON BUENO

 

Elenco

REGINA VOGUE

MAURÍCIO VOGUE

TIAGO LUZ

GUILHERME FERNANDES

GABRIEL MANITA

GUHSTAVO HENRIQUE

TARCISO FIALHO

GUSTAVO SAULLE

AMANDA LEAL

ANITA GALLARDO

BRUNO LOPS

CLÁUDIA SOUZA

EVANDRO SANTIAGO

FABIANO TIMMERMANN

FRAN LIPINSKI

KAUÊ PERSONA

LÍGIA QUIRINO

LÍVIA DESCHERMAYER

LUCAN VIEIRA

MARCELO LIPP

MICHELLE RODRIGUES

MARYAH MONTEIRO

PATRÍCIA CIPRIANO

RAFAEL WOLFF LIMA

RENATA CHEMIN

ROBYSOM SOUZA

RUDI MAYER

SCHEILA FOLTRAN

VIDA SANTOS

JAQUELINE LIRA

JÉSSICA KIMY

LUIZA AZEVEDO

PEDRO LATRO

RAPHAEL MORAES

 

Composições e Direção Musical  RAPHAEL MORAES

Iluminação  BETO BRUEL

Assistência de Iluminação e Operação de luz  FERNANDO ALBUQUERQUE DOURADO

Figurinos  ÁLDICE LOPES

Assistência de Figurinos  REGINA VOGUE

Cenografia  ALFREDO GOMES

Consultoria corporal e coreográfica  LUIZ FERNANDO BONGIOVANNI

Programação Visual  MARCOS MININI

Adereços  MICHELLE RODRIGUES

Máscaras  DIEGO PERIN

Operação de som –                                                                         EDSON BUENO

Fotografias para a programação visual  ELENIZE DEZGENISK & MARCOS MININI

Atores/cartaz  ANITA GALLARDO, EVANDRO SANTIAGO, GABRIEL MANITA, GUILHERME FERNANDES, GUHSTAVO HENRIQUE, MICHELLE RODRIGUES, RENATA CHEMIN

Costureira  ROSE MARY MATIAS

Tinturas e Bordados  TEKA LOPES

Produção  ÁLDICE LOPES

 

Realização  GRUPO DELÍRIO CIA. DE TEATRO

 

Este espetáculo estreou no dia 06 de abril de 2012, no Espaço Cênico, dentro da Mostra XXX, do Festival de Curitiba.

 

Agradecimentos

Leandro Knopfolz

Thiago Inácio

Monica Rischbieter

Mara Moron

Cleverson Cavalheiro

Tania Araujo

Léa Albuquerque

Paulo Lima

Dirceu Wolff

Samuel Augusto

Eloise Grein

Raquel Cristina Stange Armani

Poliana Caroline da Cruz Rosa

Maybel Sulamita

Teka Lopes

Construtora Colnaghi

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Date

2001

Category

Arte, Era de Ouro

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